População vai para rua e cria Praça no Centro de Curitiba

Rede Sustentabilidade 18 de junho de 2014

Um terreno baldio, boas ideias e vontade de por a mão na massa resultaram num espaço de convivência no centro histórico de Curitiba conhecido como Praça de Bolso do Ciclista. Há dois anos, a partir da constatação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) de que o local se tratava de um terreno público [e desocupado], e após acordos com a prefeitura, o espaço foi liberado para a execução de um projeto voltado para a questão da sustentabilidade e ao estímulo ao meio de transporte limpo.

Assim, cicloativistas da cidade juntamente a uma equipe de arquitetos e urbanistas enxergaram nessa oportunidade um meio para pensar num projeto colaborativo que, ao mesmo tempo revitalizaria o bairro- pois a praça está situada em local há muito deteriorado pela presença de usuários de drogas e prostitutas- e que também estimulasse a mobilidade sustentável a partir do uso de bicicletas.

Organizados em mutirões, moradores da cidade usaram seus finais de semana para executar o projeto. A prefeitura, uma construtora, e comerciantes do bairro colaboraram com os materiais, e os moradores se prontificaram a entrar, por sua vez, com a mão de obra. “A Praça resume tudo, ela é pequenina do jeito dela, mas tem um poder de transformação enorme. Mostra para as pessoas, que, sim, a cidade é delas e que basta ter vontade e coragem para fazer as coisas acontecerem”, afirmou Yasmim Reck designer e cicloativista.

"Aqui é trabalho meu filho!" voluntários trabalham em um dos mutirões

“Aqui é trabalho meu filho!” voluntários trabalham em um dos mutirões

O projeto, que foi aprovado em 24 de maio, prevê a implantação de paisagismo em seus 128 metros quadrados. Já há um pé de ipê roxo plantado, além de outras plantas aromáticas. Em breve, serão instalados paraciclos para estacionar as bikes, uma bomba exclusiva para encher o pneus, wi-fi gratuito e uma outra novidade: ponto para abastecimento de bicicletas elétricas. Num segundo momento, também está previsto uma bicicleta geradora de energia, que poderá carregar celulares e outros equipamentos eletrônicos.

“A praça estimula as pessoas a ter esse senso de comunidade, a compartilhar a cidade que é delas. A população precisa tomar a cidade pra si”, diz Fernando Rosebaum, sócio-proprietário da Bicicletaria Cultural, que fica em frente à praça. O grupo organiza projetos culturais de direto envolvimento com o espaço. Ali há disponível uma oficina mecânica, ferramenta e bancadas onde as pessoas podem consertar as próprias magrelas e, uma vez por mês, há curso de mecânica. Há também outros serviços como aluguel de bikes; livraria especializada em transporte público e uma galeria de arte com obras de artistas curitibanos.

Com a finalização da praça, a intenção do grupo responsável pelo projeto é que o espaço comece a sediar o Fórum Mundial do Ciclista- evento anual onde convidados do mundo inteiro discutem temas que envolvam o ciclismo- sendo que a terceira e última edição foi sediada em fevereiro em Curitiba. Durante o evento, a artista suíça Mona Caron homenageou a praça com uma pintura à céu aberto.

A artista suíça Mona Caron também deixou sua contribuição para a praça do ciclista

A artista suíça Mona Caron também deixou sua contribuição para a praça do ciclista

“Queremos mostrar para sociedade e para o poder público o ganho que se tem ao empoderar o cidadão. Podemos ter políticas públicas que envolvam as pessoas, isso gera um sentimento de pertencimento ao espaço urbano” concluiu Jorge Brand, secretário da Associação dos ciclistas do Ciclo Iguaçu, entidade também ligada ao projeto.