Nota da REDE Sustentabilidade do Rio de Janeiro sobre o caos instaurado no estado

#Rede 16 de abril de 2019

Depois de uma semana que expõe as graves feridas causadas em nossa sociedade, onde vidas foram ceifadas deixando várias famílias sem o convívio de seus entes queridos, mortes que poderiam ser evitadas, mas que se multiplicam evidenciando o abandono da população pelo poder público em todas as esferas, a REDE Sustentabilidade do Rio de Janeiro vem a público solidarizar-se com as famílias vitimadas e pedir a apuração dos verdadeiros responsáveis pelas catástrofes e sua punição.

Atualmente, viver no Rio é isso. Insegurança real diária, balas perdidas ou encontradas, luta armada entre milícias e traficantes pelo domínio de territórios, o brutal fuzilamento promovido por homens do Exército a uma família que se deslocava para um chá de bebê, bloqueios na Linha Vermelha por confrontos entre a PM e criminosos do Complexo da Maré, com direito a passageiros deitados no asfalto, se escondendo de tiros, um filme de terror.

Como se tenebroso já não fosse, vivemos ainda a perda de mais 15 vidas e o desaparecimento de outras nove pessoas com o desabamento de dois prédios na região da Muzema, na Zona Oeste do Rio, dominada pelo poder das milícias.

Esta situação de abandono completo é o reflexo de mais de 30 anos de saques aos cofres públicos, promovidos justamente por aqueles que deveriam cuidar do nosso estado. Os cinco últimos governadores do Rio de Janeiro ou estão presos ou respondendo a processos por desvio de dinheiro público, entre outras irregularidades.

Na capital do estado, a situação também é desesperadora. Obras construídas com verbas do Governo Federal para serem grandes legados das Olimpíadas e da Copa do Mundo, como a Ciclovia Tim Maia, vão desabando, ruindo. O atual prefeito, que nada tem a ver com a ciclovia, mas tem a ver com muitas outras coisas, sofre processo de impeachment na Câmara de Vereadores, onde parte dos terceirizados parou de trabalhar por atrasos em seus salários.

E assim o povo carioca e fluminense convive com calamidades diárias, catástrofes anunciadas e lamentavelmente recorrentes. O desespero e a revolta denotam a desesperança de um povo sofrido, roubado, no qual o dinheiro pago pelos inúmeros impostos não reflete nas políticas públicas e serviços prestados à sociedade, que segue refém das filas dos hospitais, da bandidagem, da polícia despreparada, da falta de professores, de escolas, de inteligência na luta contra o tráfico de drogas, de planejamento para enfrentar situações climáticas e da falta de respeito à coisa pública e ao cidadão. Misérias do nosso cotidiano, que resultam em barreiras para o desenvolvimento de uma sociedade justa e igualitária.


REDE Sustentabilidade do Rio de Janeiro