Nota da Rede Sustentabilidade em repúdio aos ataques do Governo Bolsonaro ao INPE e aos servidores e dirigentes dessa instituição.

#Rede 23 de julho de 2019

A Rede Sustentabilidade repudia a campanha difamatória e intimidatória que vem sendo feita pelo governo Bolsonaro contra o Instituto de Pesquisas Espaciais-INPE. Após escalar prepostos como o Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e o Chefe do Gabinete de Segurança Institucional General Augusto Heleno, o próprio Presidente Jair Bolsonaro decidiu partir para o ataque frontal, desferindo golpes verbais mentirosos contra a honra daquela instituição pública, dos seus servidores e dos seus dirigentes. O Ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, que conhece o trabalho do INPE e que deveria esclarecer o presidente e os demais ministros a cerca da seriedade e qualidade do trabalho do INPE, acovardou-se, deixando -por vários dias- que Instituto sofresse essas injustiças. Só resolveu se pronunciar recentemente e para fazer coro com o presidente, numa clara e vergonhosa postura de subserviência e apego ao cargo que ocupa.

O Instituto é uma das mais importantes instituições científicas do Brasil. Surgiu nos anos 1960, a partir de uma proposta da Sociedade Interplanetária Brasileira (SIB) durante a Reunião Interamericana de Pesquisas Espaciais que propôs a criação de uma instituição civil de pesquisa espacial no país e enviou uma carta ao então presidente da República, Jânio Quadros, sugerindo tal iniciativa.

Naquele contexto, com a “corrida espacial”entre as grandes potências, a criação do INPE significava o ingresso do Brasil na era das pesquisas espaciais e proporcionava desenvolvimento científico ao país. Em agosto de 1969 seria criado o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE), embrião do que viria a ser o INPE, dando início às atividades espaciais no Brasil.

Em 1971 o INPE é criado vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Nascia assim a “Nasa” brasileira, com as atribuições de propor a política espacial brasileira em colaboração com o Ministério das Relações Exteriores, desenvolver o intercâmbio técnico-científico e a cooperação internacional, promover a formação de especialistas, realizar projetos de pesquisa e coordenar e executar as atividades espaciais com a indústria brasileira.

Nesses quase 50 anos de existência, a instituição cumpriu sua missão com excelência e tornou-se referência científica mundial. A lista de conquistas é longa, mas vale destacar os respeitados cursos de pós-graduação, o desenvolvimento, lançamento e operação de diversos satélites brasileiros, os programas de monitoramento do clima e de sensoriamento remoto, expedições científicas à Antártica, criação de diversos laboratórios como o de plasma, sensores e materiais, computação e matemática aplicada e combustão e propulsão, criação do programa de monitoramento de queimadas e do Projeto PRODES que monitora a Floresta Amazônica Brasileira por Satélites, com levantamento de dados anuais sobre a taxa do desflorestamento na Amazônia Legal desde 1988, criação do CPTEC – Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, sendo este último designado como um dos doze centros para previsões sazonais globais pelas normas da Organização Mundial de Meteorologia. Além disso destaca-se, recentemente, a instalação do novo supercomputador climático.

Afirmar que o Instituto produz dados mentirosos sobre o desmatamento da Amazônia e acusar o diretor do Instituto, Dr. Ricardo Magnus Osório Galvão, um dos mais respeitados cientistas do país, de “estar a serviço de alguma ONG” é absolutamente inaceitável! O INPE é uma instituição civil que se pauta pela transparência e é submetida a forte controle da sociedade, imprensa e da comunidade científica. É um magnifíco exemplo de instituição pública na acepção constitucional mais límpida!

O Instituto realiza o monitoramento do desmatamento da Amazônia há mais de 30 anos. Auditorias comprovam que a precisão dos mapeamentos realizados é superior a 95%.

A metodologia desenvolvida pelo INPE é seguida por mais de 50 países, os quais já enviaram mais de 500 técnicos para serem treinados no Instituto nos últimos anos.

Por trás do ataque ao INPE está um dos mais abjetos projetos do governo Bolsonaro: o fim do combate ao desmatamento da Amazônia. A estratégia adotada tem 3 frentes de ação: 1) Desmoralizar o INPE, que é quem produz os dados sobre o desmatamento. Acusá-lo de mentir sobre os dados tem o propósito de reduzir a resistência da opinião pública quando for retirada a competência do Instituto de produzir os dados oficiais sobre o desmatamento da Amazônia; 2) Enfraquecer o Ministério do Meio Ambiente e encerrar o Plano de Combate ao Desmatamento da Amazônia que foi criado em 2004 e estava em operação até dezembro de 2018; 3) Acabar ou desvirtuar o Fundo Amazônia, que é o principal financiador das operações de fiscalização do IBAMA, além de outras importantes iniciativas de combate ao desmatamento.

Parabenizamos o Diretor Ricardo Galvão pela atitude republicana de defender a instituição que representa e seus colegas cientistas e demais servidores. Sua atitude de indignação e coragem advém de um homem íntegro, servidor público exemplar e um cidadão brasileiro que não tem medo de ameaças e mentiras daqueles que pensam que foram eleitos para governar uma republiqueta de terceira categoria.

Em defesa do Brasil, da Amazônia, de Democracia e da Verdade, vida longa ao INPE! Vida longa aos homens e mulheres que constroem o Estado Brasileiro e ajudam o país a se desenvolver com proteção ambiental, justiça social e decência pública.

Brasília, 23 de julho de 2019

Comissão Executiva Nacional