Tecnologias trazem avanços no monitoramento do desmatamento da Amazônia

Rede Sustentabilidade 11 de agosto de 2015

A adoção de duas novas tecnologias poderá trazer avanços no monitoramento do desmatamento da Amazônia porque permitirá que essa vigilância seja feita em áreas cobertas por nuvens e naquelas devastadas nos espaços com menor dimensão de tamanho. Uma delas será o uso de imagens do radar orbital SAR (sigla em inglês para Radar de Abertura Sintética). A outra ferramenta garantirá o aumento da resolução do mapeamento do DETER (Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real) com as imagens do satélite indiano ResourceSat-2.

Os dois novos mecanismos permitirão que a detecção feita na região amazônica supere os seus principais limitadores. Entre eles, estão a impossibilidade de identificar desmatamentos em regiões com alta nebulosidade mesmo fora da estação chuvosa e a baixa resolução do DETER, operado pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e utilizado para conceder alertas à fiscalização. Os sistemas devem estar aptos para operar ainda nesse semestre.

“Os desmatadores buscam sempre driblar a fiscalização. Quando implementamos o DETER, na época em que estávamos no Ministério do Meio Ambiente, passaram a aumentar os desmatamentos em áreas menores e na época chuvosa para fugir do flagrante e da apreensão de equipamentos e embargo das áreas. Mas mesmo assim, conseguimos reduzir drasticamente esse índice”, avalia Muriel Saragoussi, ex-secretária de Coordenação de Políticas para a Amazônia do Ministério do Meio Ambiente e coordenadora de Formação Política da Rede Sustentabilidade.

Para viabilizar o SAR, foram investidos R$ 80,5 milhões, dos quais R$ 63,9 milhões fazem parte dos recursos não reembolsáveis do Fundo Amazônia. O restante veio do orçamento da União. Esse radar orbital traz como principal avanço o fornecimento de dados referentes ao desflorestamento em meio ao período de maior predominância de nuvens, entre os meses de outubro e março do ano seguinte.

A oferta dessas informações permitirá a antecipação e melhor distribuição das ações de fiscalização terrestre ao longo do ano. Sem a tecnologia, o desmatamento no início dos meses chuvosos só seria descoberto depois de vários meses, somente quando a condição atmosférica estiver favorável ao monitoramento com imagens. Assim, essas informações ajudarão a combater a derrubada de florestas antes de alcançar maiores proporções.

O SAR também deixará mais visível à devastação em regiões sob o predomínio contínuo de nuvens, independentemente do período do ano. Entram nesta situação todo o estado do Amapá e partes do extremo norte do Pará.

O radar orbital será usado estritamente nas áreas sob condições climáticas adversas e complementará o DETER, que cobre toda a Amazônia Legal, mas utiliza apenas tecnologia ótica. Esse sistema não ultrapassa as nuvens e, dessa forma, não identificam a perda florestal em regiões encobertas. Colocado em um satélite, o SAR monitora com mais rapidez e precisão, pois adota a tecnologia de microondas. A resolução é de 18 a 22 metros e permite identificar desmatamentos de dimensões menores que todos os demais sistemas. Para se adequar aos padrões equivalentes ao radar orbital, o DETER deve passar por um aprimoramento ainda nesse semestre.

Satélite indiano
Em fase de testes, o satélite indiano ResourceSat-2 consegue detectar desmatamentos com tamanho mínimo de 6,25 hectares (ou 62.500 m²). Esse equipamento terá capacidade de descobrir desmatamentos pelo menos quatro vezes menores se comparado com a capacidade do DETER, que identifica áreas desmatadas a partir de 25 metros de resolução. A expectativa é de que o satélite seja lançado nos próximos meses.

“Importante será garantir a capacidade dos órgãos fiscalizadores de cumprirem o seu papel, o que está bastante comprometido com os cortes orçamentários e de pessoal. Temos um exemplo extremo destas dificuldades no Amazonas, mas isso é verdade em todos os estados e também em nível federal”, destaca Muriel, que atualmente é gerente científica do LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia).